quinta-feira, 11 de junho de 2009

Fã x Fanatismo


Você é fã de quem? Cultua a personalidade de algum artista ou celebridade?
Diversos psicólogos atribuem a um período, a adolescência, a época que as pessoas começam a cultuar a admiração por um determinado ídolo. Talvez eles estejam errados, já que para admirar seus pais, admirar aquele artista, admirar aquela pessoa que fez um bem enorme para os que estavam ao seu redor, você não precisa estar na faixa dos onze aos dezoito anos.
Mas até que ponto essa “admiração” é válida ou saudável? E aí que eu quero chegar.
A palavra fã, segundo o dicionário Aurélio, tem a seguinte definição: Pessoa que tem grande admiração por artistas (de cinema, teatro, televisão) ou figuras populares (campeões esportivos, jogadores de futebol etc.). / Admirador.
Já a palavra fanatismo é classificada como: Paixão cega que leva alguém a excessos em favor de uma religião, doutrina, partido etc. / Dedicação excessiva.
Podemos entender que fã é aquela pessoa que guarda ou coleciona materiais de seus ídolos, sejam eles, atores, cantores, pintores, etc. Mas será que eles sabem o real limite de sua “função” perante o idolatrado?
Estava pensando, inclusive foi quando decidi postar esse assunto, como uma pessoa pode se deixar viver a vida do seu ídolo. Exemplo de fanatismo, talvez o mais conhecido de todos, é o caso de Mark Chapman. Você não sabe quem é? Ou talvez não esteja ligando o nome ao fato? Tornando a leitura mais fácil, se eu escrevesse o fã que matou seu ídolo, John Lennon, em 8 de dezembro de 1980 em Nova Iorque, você saberia certo? Eu sei que a resposta é positiva.
Mark se dizia fã incondicional de John e após conseguir o que queria, um simples autógrafo, atirou sem dó e sem piedade em seu ídolo.
Eu como fã de outra pessoa, sinto vergonha ao ler que John Lennon foi assassinado por um fã.
Acho a relação de um fã com seu ídolo tão carinhosa, principalmente quando esse carinho é recíproco, gosto de ver (e sentir também) aquela angústia na espera de um lançamento de um trabalho musical, a ansiedade de chegar à data daquele show esperado e ao término desse show, aquela correria para entrar no camarim e bater a foto, que ele, o fã, irá ter como uma recompensa e como uma lembrança de bons momentos.
Mas ao mesmo tempo fico estarrecido ao ver, “fãs” vivendo a vida de seus ídolos, se aproximando de pessoas próximas ao artista, apenas com o intuito de chegar até ele. Fico perplexo com pessoas que colocam suas vidas em risco ou simplesmente se submetem a atos que em sã consciência não os faria de forma alguma.
E pior ainda, fico imaginando como o idolatrado se sente com essa invasão toda. Claro que a partir do momento do que uma pessoa se torna pública, ela automaticamente, perde uma parte de sua privacidade, e a parte restante é o que ele tem para sobreviver durante o resto da sua vida. Será que o “fã” tem esse direito?
Entre as palavras fanatismo e fã, existe uma diferença. "Desde que não coloque em risco a vida de alguém, não ultrapasse limites, ou não interfira na individualidade das pessoas. Não é problema ser fã, e sim a forma como as pessoas se comportam para expressar a admiração”, diz a psicóloga Silvana D´Avino Portugal. E ela ainda alerta de como um fã pode se tornar um fanático. “A pessoa usa do mecanismo de projeção para se realizar através de outra pessoa; projeta sucesso, força, beleza, entre outros atributos. A pessoa não tem condições pessoais para se auto-realizar, por motivos diversos de cada um ou até mesmo desconhece suas potencialidades, então projeta características que gostaria de ter ou que desconhece ter ou até mesmo, que "acha" importante ter. Acaba desenvolvendo ansiedade e/ou depressão, porque de alguma forma vai percebendo, de forma inconsciente ou não, que existe um vazio e que tenta preencher com aspectos de outra pessoa, só que esse vazio não é preenchido porque quem tem esses atributos é o outro."
Vale e pena refletir e repensar atos que possam vir a classificá-lo (a) como um possível fanático.
Ser fã não faz mal a ninguém, pelo contrário, faz bem. No meu caso, conheci diversas pessoas, que se tornaram grandes amigos graças à relação em comum que temos. Já viajei, já conheci lugares que eu jamais sonhei em conhecer. Já tive experiências que serão levadas até o fim de minha vida. Já fiz coisas erradas? Claro que sim. Já perdi emprego, já sai escondido dos pais, mas em nenhum momento coloquei minha vida em risco e nunca sonhei em fazer algo que prejudicasse o meu ídolo ou algo que ele não poderia ver com “bons olhos”.
Sei me colocar e principalmente me comportar como fã e com esse texto, espero que você ao terminar, saiba também.
Fico por aqui e agradeço a todos que leram. E aproveitando a oportunidade, desejo a todos um bom final de semana e para os que estão namorando, feliz dia dos namorados.

ps: na foto eu e Alinne Rosa (Banda Cheiro de Amor)